Saúde e Ciência

Banco de cérebros da USP revela novas descobertas sobre demência e suas causas no Brasil

Banco de cérebros da USP, com mais de 5 mil encéfalos, revela novas descobertas sobre demência no Brasil, destacando a prevalência de demência vascular e a influência de fatores genéticos e ambientais. A pesquisa, liderada pela médica geriatra Claudia Suemoto, busca entender as causas e características da demência, com foco em populações de baixa escolaridade e em idosos.

Atualizado em
August 12, 2025
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A geriatra Claudia Suemoto é diretora do Banco de Cérebros da USP e professora da Faculdade de Medicina da USP Foto: Taba Benedicto/ Estadão

A demência, especialmente a doença de Alzheimer, é uma preocupação crescente no Brasil, conforme revelam novas descobertas do banco de cérebros da Universidade de São Paulo (USP). Com mais de cinco mil encéfalos, o biobanco, liderado pela médica geriatra Claudia Suemoto, tem investigado as causas e características da demência no país. Entre os achados, destaca-se a prevalência de demência vascular e a influência de fatores genéticos e ambientais na condição.

Recentemente, o biobanco recebeu um financiamento internacional de U$ 1,2 milhão (R$ 6,8 milhões) para expandir suas pesquisas, incluindo a análise de causas genéticas da demência. Outro projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), visa estudar cérebros de pessoas com mais de noventa anos, buscando entender os fatores que desencadeiam os sintomas da demência e aqueles que podem proteger a cognição.

Claudia Suemoto, que possui formação em Medicina pela USP e doutorado na mesma instituição, enfatiza que a demência, especialmente entre idosos, frequentemente resulta de múltiplas causas. Isso complica a eficácia de tratamentos que visam uma única terapia. A especialista também menciona que a demência vascular é uma causa significativa no Brasil, representando cerca de cinquenta por cento dos casos, enquanto a doença de Alzheimer é responsável por quarenta por cento.

As pesquisas do biobanco revelaram que a baixa escolaridade é um fator de risco importante para a demência no Brasil. A média de escolaridade entre os doadores é de apenas quatro anos, e a pesquisa indica que mesmo quatro anos de estudo podem oferecer alguma proteção contra a condição. Além disso, a diversidade étnica dos doadores, com trinta e um por cento identificados como pretos ou pardos, proporciona uma visão única sobre as características da demência na população brasileira.

Um aspecto inovador das pesquisas é a identificação precoce de depósitos de proteínas relacionadas à doença de Alzheimer em cérebros de pessoas jovens. Isso sugere a necessidade de estratégias de prevenção mais eficazes. A pesquisa também está explorando a relação entre alterações de sono e depressão em idosos, que podem ser sinais precoces de demência, indicando a importância de diagnósticos mais precisos.

Com o aumento da população idosa no Brasil, a demência se tornará uma questão de saúde pública ainda mais relevante. O avanço nas pesquisas é promissor, mas ainda há muitas perguntas sem resposta. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem entender e combater essa condição, ajudando a promover um envelhecimento saudável e a melhorar a qualidade de vida dos afetados.

Estadão
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