Saúde e Ciência

Cobra cascavel apresenta potencial antitumoral em pesquisa com células de câncer de mama triplo negativo

Pesquisadores da FCFRP da USP descobriram que a crotoxina, extraída do veneno da cascavel, pode eliminar células de câncer de mama triplo negativo, um tipo agressivo da doença. A pesquisa, publicada na revista Toxicon, revela o potencial antitumoral da proteína, que demonstrou eficácia em laboratório, mas requer mais estudos para aplicação clínica.

Atualizado em
May 11, 2025
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Cobra cascavel, animal de corpo tubular e curvilíneo com escamas, mostrando a língua e com um chocalho na parte posterior, colocada em um piso de cimento com rachaduras - Fonte: USP Imagens

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram resultados promissores ao utilizar a crotoxina, uma proteína extraída do veneno da cascavel, no combate a células de câncer de mama triplo negativo. Este tipo de câncer é considerado altamente agressivo e representa cerca de 15% dos casos da doença, com uma taxa de mortalidade elevada.

O estudo, publicado na revista científica Toxicon, demonstrou que a crotoxina foi capaz de eliminar e inibir a proliferação das células MDA-MB-231, que são representativas do câncer de mama triplo negativo. A primeira autora do artigo, Camila Marques de Andrade, destacou que a pesquisa faz parte de um projeto mais amplo que investiga a atividade antitumoral da crotoxina em diferentes tipos de células tumorais.

Os tumores de mama são classificados pela presença ou ausência de receptores hormonais, e o tipo triplo negativo é conhecido por seu prognóstico desfavorável. O tratamento padrão envolve o uso de antraciclinas e taxanos, como a doxorrubicina, que podem apresentar resistência e efeitos colaterais significativos. A crotoxina, por sua vez, mostrou potencial para atuar de forma diferente, sem interagir com a doxorrubicina.

A pesquisa avaliou a expressão gênica e proteica das vias de morte celular, além de marcadores de estresse oxidativo. Os resultados indicaram que a crotoxina induziu a morte celular na linhagem tumoral, apresentando ações antiapoptóticas, antiautofágicas e pró-necróticas. Esses efeitos foram atribuídos à capacidade da crotoxina de evadir a apoptose e causar danos ao DNA das células cancerígenas.

O veneno da cascavel foi isolado por cromatografia e doado ao grupo de pesquisa pelo professor Marcos Roberto Mattos Fontes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A equipe envolveu pós-doutorandos e alunos de doutorado, além de colaboradoras de instituições internacionais, como a Universidade do Porto, em Portugal.

Embora os resultados sejam encorajadores, a viabilidade clínica da crotoxina ainda precisa ser confirmada por meio de estudos pré-clínicos e clínicos. A pesquisa destaca a importância de explorar novas abordagens no tratamento do câncer, e a mobilização da sociedade pode ser crucial para apoiar iniciativas que busquem desenvolver e testar novas terapias que beneficiem pacientes com câncer.

Jornal da USP - Saúde
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