Meio Ambiente

Crise climática pode reduzir drasticamente a recarga de aquíferos e comprometer abastecimento no Brasil

Estudo do IGc-USP e do Inpe alerta que a recarga dos aquíferos brasileiros pode cair drasticamente até 2100, especialmente no Sudeste e Sul, devido à crise climática. A pesquisa sugere a recarga manejada como solução.

Atualizado em
August 18, 2025
Clock Icon
4
min
Afloramento do aquífero Guarani na gruta Itambé, em Altinópolis (SP) (foto: Jonathan Wilkins/Wikimedia Commons) (Jonathan Wilkins/Wikimedia Commons/Reprodução)

A crise climática global pode impactar severamente a recarga dos aquíferos brasileiros, reduzindo a disponibilidade de águas subterrâneas em todo o país. Essa é a conclusão de um estudo realizado por cientistas do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que avaliou os efeitos de diferentes cenários climáticos na oferta hídrica até o final do século. O estudo foi publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment.

As águas subterrâneas, que abastecem cerca de 112 milhões de brasileiros, são essenciais para poços, nascentes e ecossistemas. A pesquisa utilizou um modelo de balanço hídrico, com dados do Coupled Model Intercomparison Project Phase 6 (CMIP6), para prever alterações na temperatura, precipitação e recarga de aquíferos entre 2025 e 2100. Os cientistas analisaram cenários moderados e pessimistas de emissões de gases de efeito estufa.

Os resultados indicam que a recarga dos aquíferos pode diminuir drasticamente, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, que devem se tornar mais secas. A temperatura média do Brasil pode aumentar entre 1,02 °C e 3,66 °C, enquanto a distribuição das chuvas se tornará ainda mais desigual. Regiões como o Norte e parte do litoral Leste devem enfrentar quedas na precipitação, enquanto o Sul e partes do Nordeste podem ter aumentos pontuais.

Ricardo Hirata, professor do IGc-USP e autor do estudo, destaca que chuvas intensas e concentradas favorecem o escoamento superficial, mas não a infiltração necessária para a recarga dos aquíferos. Ele explica que, mesmo quando a água penetra no solo, o processo de alcançar o aquífero pode levar meses. A pesquisa prevê uma diminuição de até 666 milímetros por ano na recarga em áreas críticas, como o Sistema Aquífero Bauru-Caiuá.

Apesar da importância das águas subterrâneas, as políticas públicas têm negligenciado essa questão. Hirata ressalta que mais da metade dos municípios brasileiros depende dessa fonte de água. Ele observa que, durante a crise hídrica de 2014-2016, cidades abastecidas por águas subterrâneas foram menos afetadas do que aquelas que dependiam de água superficial.

O estudo também sugere soluções, como a recarga manejada de aquíferos, que utiliza técnicas para aumentar a infiltração de água de chuva ou esgoto tratado. Essa abordagem pode incluir estruturas simples ou sistemas mais sofisticados de injeção direta. Em tempos de crise hídrica, iniciativas que promovam a gestão sustentável das águas subterrâneas são essenciais, e a mobilização da sociedade pode fazer a diferença na preservação desse recurso vital.

Leia mais

Fraudes no Cadastro Ambiental Rural revelam desmatamento ilegal na Amazônia e necessidade de fiscalização urgente
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Fraudes no Cadastro Ambiental Rural revelam desmatamento ilegal na Amazônia e necessidade de fiscalização urgente
News Card

Fraudes no Cadastro Ambiental Rural (CAR) revelam 139,6 milhões de hectares com sobreposição na Amazônia, enquanto o STF exige planos para cancelar registros irregulares e combater desmatamentos.

Governo implementa E30 para reduzir importações de gasolina e impulsionar o uso de etanol no Brasil
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Governo implementa E30 para reduzir importações de gasolina e impulsionar o uso de etanol no Brasil
News Card

A nova mistura de gasolina E30, com trinta por cento de etanol anidro, entrou em vigor em primeiro de agosto, visando reduzir importações e estimular a economia. O governo espera um aumento significativo no consumo de etanol e impactos positivos na inflação.

Indústria brasileira vê mercado de carbono como oportunidade e busca financiamento para ações sustentáveis
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Indústria brasileira vê mercado de carbono como oportunidade e busca financiamento para ações sustentáveis
News Card

Indústria brasileira vê o mercado de carbono como uma chance de inovação, com 44% dos empresários considerando o novo marco legal uma oportunidade. A pesquisa da CNI destaca o interesse em financiamento sustentável, especialmente no Norte-Centro-Oeste.

ABC pede estudos e medidas para proteger manguezais antes da exploração de petróleo na margem equatorial
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
ABC pede estudos e medidas para proteger manguezais antes da exploração de petróleo na margem equatorial
News Card

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) solicita estudos adicionais e medidas de proteção antes da exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, destacando a relevância ecológica da região. A Petrobras, com apoio do governo, busca licença ambiental, enquanto ambientalistas se opõem à atividade, que pode impactar ecossistemas sensíveis e modos de vida locais.

Governo lança 68 obras de segurança hídrica no Nordeste, incluindo a Barragem de Oiticica no Rio Grande do Norte
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Governo lança 68 obras de segurança hídrica no Nordeste, incluindo a Barragem de Oiticica no Rio Grande do Norte
News Card

Governo brasileiro anuncia 68 obras de segurança hídrica no Nordeste, com investimento de R$ 10,4 bilhões, destacando a Barragem de Oiticica, inaugurada em março.

Lojas Renner lidera transformação sustentável no varejo brasileiro com metas ambiciosas até 2050
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Lojas Renner lidera transformação sustentável no varejo brasileiro com metas ambiciosas até 2050
News Card

Lojas Renner, C&A e Grupo Malwee avançam em sustentabilidade, com inovações como loja circular e camiseta que sequestra carbono, visando impacto ambiental positivo e inclusão social até 2030.