Educação

Desigualdade nas escolas de São Paulo: pesquisa revela condições precárias na rede pública em comparação à privada

Uma pesquisa em São Paulo revela desigualdade alarmante entre escolas públicas e privadas, com 89,7% das estaduais apresentando desordem significativa, impactando a saúde e o comportamento dos adolescentes. O estudo, que envolveu 2.680 alunos, destaca a influência do ambiente escolar na formação dos jovens e a necessidade urgente de intervenções.

Atualizado em
August 13, 2025
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Pátio da escola estadual Alarico Silveira, na região central de São Paulo, que teve de ser interditada em novembro de 2022 após obras serem adiadas por dois anos; a previsão é que sejam concluídas até o fim de 2023 - Arquivo Pessoal

Um estudo recente realizado em escolas de São Paulo revelou desigualdades significativas entre as instituições de ensino públicas e privadas. A pesquisa, que envolveu dois mil seiscentos e oitenta estudantes do nono ano do ensino fundamental, analisou cento e dezenove escolas municipais, estaduais e particulares. Os resultados mostraram que até dezenove elementos de degradação foram identificados em algumas escolas da rede pública estadual, incluindo pichações e móveis danificados.

O escore médio de desordem foi de 0,25 nas escolas particulares, 4,46 nas municipais e 6,67 nas estaduais, evidenciando uma diferença de 27 vezes maior nas estaduais em comparação com as particulares. A pesquisa também constatou que 89,7% das escolas estaduais e 85,4% das municipais apresentaram pelo menos uma forma de desordem, enquanto nas particulares esse índice foi de apenas 21,9%.

Além das condições internas das escolas, o estudo avaliou o entorno das instituições públicas, onde foi observada uma maior presença de buracos nas calçadas, pichações e iluminação pública deficiente. O pesquisador Cézar Luquine Júnior destacou que ambientes degradados podem influenciar comportamentos de risco entre os adolescentes, transmitindo uma mensagem de descaso e abandono.

O levantamento utilizou quatro fontes de dados: questionários respondidos por estudantes, observações diretas das instalações escolares, questionários administrativos preenchidos por diretores e dados do Censo da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Embora o estudo não estabeleça relações causais, pesquisas futuras do autor buscarão explorar essa conexão.

Os dados também revelaram que a distorção idade-série no nono ano atinge quase 20% dos alunos em escolas públicas, em contraste com 4,6% nas particulares. O estudo enfatiza que as diferenças nas condições oferecidas impactam não apenas o desempenho escolar, mas também a sensação de acolhimento e segurança dos jovens nas escolas.

A Organização Mundial da Saúde reconhece a importância do ambiente escolar na prevenção da violência. O estudo, inédito no Brasil, pode contribuir para a adoção de medidas que previnam comportamentos de risco, como bullying e violência. Em situações como essa, a união da sociedade pode fazer a diferença, promovendo iniciativas que melhorem as condições das escolas e o bem-estar dos adolescentes.

Folha de São Paulo
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