Meio Ambiente

Exploração de petróleo ameaça ecossistema da Foz do Amazonas e modo de vida de comunidades locais

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas avança, apesar das preocupações com o colapso ecológico e os impactos na pesca artesanal. O Ibama aprovou o plano de emergência da Petrobras, mas os encalhes de mamíferos marinhos aumentam.

Atualizado em
June 21, 2025
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Davi Marworno

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas enfrenta desafios significativos, especialmente em relação ao meio ambiente. A Petrobras, que busca licenças para operar na região, teve seu plano de emergência recentemente aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No entanto, a preocupação com os impactos ecológicos continua a crescer, especialmente com o aumento de encalhes de mamíferos marinhos e a diminuição da pesca artesanal.

Na Foz do Amazonas, um ecossistema rico e pouco estudado está sob ameaça. A vida marinha, que sempre foi abundante, apresenta sinais de colapso. O uso de ondas sonoras pela indústria petrolífera para localizar petróleo no fundo do mar afeta diretamente a fauna local. Julio Garcia, um pescador com 45 anos de experiência, afirma que “o mar está doente”, refletindo a crise que afeta as comunidades ribeirinhas que dependem da pesca artesanal.

A Petrobras iniciou estudos sísmicos na região em 2013, mas enfrentou recusas de licenças devido a falhas em estudos de impacto ambiental. Em 2024, o Ibama aprovou o plano de emergência da empresa, permitindo que o processo de licenciamento avançasse. Entretanto, a situação da pesca artesanal se agrava, com relatos de peixes menores e escassez de espécies comuns, evidenciando um desequilíbrio ecológico crescente.

Monitoramentos realizados pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) indicam um aumento no número de mamíferos marinhos encalhados, com sinais de estresse ambiental. A poluição sonora gerada por canhões de ar comprimido utilizados na prospecção sísmica é uma das principais preocupações, pois pode desorientar e prejudicar a comunicação entre as espécies marinhas, afetando toda a cadeia alimentar.

Os dados preliminares do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) revelam que entre 2023 e 2025, foram registrados 170 mamíferos marinhos e 907 quelônios mortos ou debilitados ao longo do litoral amazônico. A relação entre as atividades humanas e os encalhes de animais é alarmante, especialmente em um contexto de aumento do esforço pesqueiro e exploração petrolífera na região.

Enquanto a Petrobras defende suas operações como responsáveis, a pressão sobre o ecossistema da Foz do Amazonas aumenta. A exploração de petróleo em áreas ecologicamente sensíveis, aliada à sobrepesca, pode levar a um colapso ambiental. A união da sociedade civil em apoio a projetos que visem a proteção desse ecossistema é essencial para garantir a preservação da biodiversidade e a subsistência das comunidades locais.

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