Meio Ambiente

Mudanças climáticas causam estragos no Brasil e ameaçam a vida de milhões até 2030

Mudanças climáticas no Brasil em 2024 intensificaram secas na Amazônia e enchentes no Sul, resultando em prejuízos de R$ 620 milhões e aumento nos preços de produtos como café e castanha. Comunidades vulneráveis enfrentam crises severas.

Atualizado em
June 30, 2025
Clock Icon
4
min
Casa destruída após enchente em Encantado, Rio Grande do Sul — Foto: Nelson Almeida/AFP

No último ano, as mudanças climáticas impactaram severamente o Brasil, com eventos extremos ocorrendo de norte a sul. Enquanto o Rio Grande do Sul enfrentou enchentes devastadoras, a Amazônia registrou uma seca histórica, afetando a produção de açaí e castanha e isolando comunidades ribeirinhas. Um estudo do Banco Mundial estima que esses eventos climáticos causaram perdas anuais de R$ 13 bilhões, representando 0,11% do PIB nacional. Além disso, a previsão é que até três milhões de brasileiros possam ser levados à pobreza extrema até 2030.

A seca na Amazônia afetou cerca de 770 mil pessoas, levando à declaração de situação de emergência em todos os municípios do estado. Os prejuízos, tanto públicos quanto privados, superaram R$ 620 milhões. José Marengo, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destacou que a seca compromete três áreas essenciais: a segurança hídrica, a segurança energética e a segurança alimentar. As regiões que não sofrem com a seca enfrentam problemas relacionados ao excesso de água.

Suely Araújo, do Observatório do Clima, ressaltou que os países do Sul Global, como o Brasil, têm mais dificuldades para lidar com os efeitos das crises climáticas. As comunidades mais vulneráveis, especialmente aquelas em áreas de risco, são as que mais sofrem. Histórias de pessoas impactadas por esses eventos extremos revelam a gravidade da situação. Cícero Bezerra de Melo, morador de Angra dos Reis, perdeu quase todos os seus bens em uma enchente, e a recuperação tem sido um desafio constante.

Na Amazônia, a seca de 2024 foi a pior já registrada, com o nível do Rio Madeira atingindo apenas 25 centímetros em Porto Velho. Essa situação dificultou o transporte de alimentos e produtos essenciais para comunidades remotas. Weliton Cabixi, da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, relatou que a seca comprometeu a produção local e a capacidade de escoamento, afetando diretamente a subsistência das famílias.

O impacto da seca também se refletiu no aumento dos preços de produtos agrícolas. O preço do café, por exemplo, subiu 82,24% em um ano, com a saca de cafés especiais passando de R$ 900 para R$ 3 mil. Daniel Langone, sócio da Presso Cafés, explicou que a baixa produtividade e os custos elevados têm pressionado o setor. A diversificação de produtos e serviços tem sido uma estratégia adotada para enfrentar a crise.

Além disso, o Brasil enfrentou uma temporada de incêndios florestais sem precedentes, com mais de 30,8 milhões de hectares queimados. Camila Ormonde, produtora rural no Pantanal, perdeu metade de sua propriedade devido ao fogo. Ela clama por apoio financeiro e renegociação de dívidas para recuperar sua produção. Em tempos de crise, a união da sociedade civil pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa, oferecendo suporte e esperança para a recuperação das comunidades afetadas.

Leia mais

Crescimento da demanda por água doce gera crise hídrica e contaminação em países em desenvolvimento
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Crescimento da demanda por água doce gera crise hídrica e contaminação em países em desenvolvimento
News Card

A escassez de água e a presença de contaminantes emergentes na água doce são problemas crescentes, especialmente em países em desenvolvimento, conforme revela um dossiê da revista Frontiers in Water. O pesquisador Geonildo Rodrigo Disner destaca que a água, essencial à vida, enfrenta desafios como a privatização e a deterioração da qualidade, afetando bilhões de pessoas. A falta de monitoramento e regulamentação de poluentes, como pesticidas e medicamentos, agrava a situação, exigindo ações urgentes para garantir água potável e de qualidade.

Calor intenso marca o início do terceiro veranico de 2025 e eleva temperaturas em várias regiões do Brasil
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Calor intenso marca o início do terceiro veranico de 2025 e eleva temperaturas em várias regiões do Brasil
News Card

O Brasil inicia o terceiro veranico de 2025, com calor intenso e temperaturas acima de 30 °C em cidades como São Paulo, aumentando o risco de incêndios e agravando a crise hídrica nas regiões Norte e Nordeste.

Lula defende desenvolvimento sustentável e critica militarização na Cúpula dos Brics no Rio de Janeiro
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Lula defende desenvolvimento sustentável e critica militarização na Cúpula dos Brics no Rio de Janeiro
News Card

Durante a cúpula do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a OTAN e a AIEA, defendendo uma transição justa para energias sustentáveis e anunciou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre na COP 30. Lula destacou a urgência de priorizar o desenvolvimento sustentável e a erradicação de doenças, enfatizando que a falta de recursos afeta os países em desenvolvimento.

COP30 destaca a urgência de resgatar o multilateralismo e aborda pela primeira vez combustíveis fósseis
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
COP30 destaca a urgência de resgatar o multilateralismo e aborda pela primeira vez combustíveis fósseis
News Card

A COP30, presidida por André Corrêa do Lago, abordará pela primeira vez combustíveis fósseis e exigirá resgate do multilateralismo em Bonn, visando mobilizar US$ 1,3 trilhão para o clima.

Desmatamento global atinge recorde em 2024, com Brasil liderando a devastação nos trópicos
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Desmatamento global atinge recorde em 2024, com Brasil liderando a devastação nos trópicos
News Card

Em 2024, o planeta perdeu 30 milhões de hectares de florestas, com o Brasil respondendo por 42% dessa devastação, impulsionada por incêndios e mudanças climáticas. A situação exige ação urgente.

Cientistas revivem verme congelado por 46 mil anos e revelam segredos da criptobiose na Sibéria
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Cientistas revivem verme congelado por 46 mil anos e revelam segredos da criptobiose na Sibéria
News Card

Cientistas reviveram o verme Panagrolaimus kolymaensis, congelado por 46 mil anos no permafrost siberiano, revelando novas possibilidades para criopreservação e conservação de espécies. Essa descoberta pode revolucionar a biomedicina e a preservação da vida em condições extremas.