Meio Ambiente

Rendimento pesqueiro no Alto Rio Paraná despenca 50% em duas décadas devido a espécies invasoras e degradação ambiental

O rendimento pesqueiro no Alto Rio Paraná caiu 50% em duas décadas devido à invasão de espécies exóticas e à degradação ambiental, afetando a economia local e a biodiversidade. O estudo revela que espécies nativas diminuíram em tamanho e quantidade, enquanto invasoras, como o tucunaré, se tornaram mais abundantes e prejudiciais ao setor pesqueiro.

Atualizado em
August 8, 2025
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Em foto com lente chamada de olho de peixe, pesquisadores realizam coletas no rio Paraná: enquanto os cada vez mais raros pintados nativos podiam custar R$ 47/kg na época da publicação do estudo, o quilo dos abundantes tucunarés invasores valia cerca de R$ 9 (foto: Celso Ikedo/PELD-PIAP)

Um estudo recente revelou que o rendimento pesqueiro no Alto Rio Paraná, que abrange os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, caiu cerca de cinquenta por cento nos últimos vinte anos. Essa redução é atribuída à invasão de espécies exóticas e à crescente ocupação humana na região, conforme publicado na revista Nature Ecology & Evolution. Os pesquisadores analisaram dados do Programa Ecológico de Longa Duração da Planície de Inundação do Alto Rio Paraná (PELD-PIAP), que monitora a biodiversidade local desde o ano 2000.

Durante o período de análise, o tamanho médio dos peixes capturados comercialmente diminuiu, refletindo a diminuição das espécies nativas, como o pintado (Pseudoplatystoma corruscans). Em contrapartida, espécies invasoras, como o tucunaré (Cichla sp.), aumentaram em tamanho e abundância. O primeiro autor do estudo, Dieison Moi, destacou que a degradação ambiental tem impactado negativamente a captura de peixes nativos, que são cada vez mais raros.

Além da perda de biodiversidade, a troca de espécies nativas por invasoras também gera prejuízos econômicos para os pescadores. Os peixes nativos, como o pintado, têm um valor de mercado cerca de oitenta por cento superior ao dos invasores. Por exemplo, enquanto o pintado pode custar aproximadamente R$ 47,00 (US$ 8,26) por quilo, o tucunaré vale cerca de R$ 9,00 (US$ 1,65) pela mesma quantidade.

O professor Gustavo Quevedo Romero, autor sênior do trabalho, ressaltou que a substituição de espécies nativas por invasoras é um fenômeno global com impactos severos na biodiversidade e na vida das comunidades que dependem da pesca. O estudo se destaca pela amostragem contínua, que evidencia a gravidade da situação na região.

A pesquisa também revelou que a intensificação da ocupação humana está diretamente ligada à diminuição das espécies nativas. Entre trinta e uma espécies nativas, trinta e seis vírgula nove por cento apresentaram uma relação direta com fenômenos como desmatamento e urbanização, resultando em uma diminuição da biomassa. Em contrapartida, vinte espécies invasoras se beneficiaram desse processo.

Os resultados do estudo indicam que é mais eficaz desenvolver estratégias de conservação e manejo dos recursos naturais do que introduzir espécies não nativas. A necessidade de recursos para estudos de longo prazo, como o PELD-PIAP, é fundamental para fornecer evidências científicas que sustentem políticas públicas eficazes. Nessa situação, nossa união pode ajudar a promover iniciativas que beneficiem tanto a biodiversidade quanto as comunidades locais que dependem da pesca.

Agência FAPESP
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