Meio Ambiente

Aquecimento global eleva toxinas de algas nas cadeias alimentares do Ártico, alertam pesquisadores da Noaa

Estudo revela que o aquecimento global no Ártico aumenta toxinas de algas nas cadeias alimentares, ameaçando a vida marinha e comunidades locais, conforme pesquisa da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA.

Atualizado em
July 10, 2025
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Uma baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus) - Vicki Beaver/Wikimedia commons

Um estudo recente sobre fezes de baleias no Ártico, realizado ao longo das últimas duas décadas, revelou que o aumento das temperaturas oceânicas está elevando as concentrações de toxinas de algas nas cadeias alimentares marinhas. A pesquisa, publicada na revista Nature, destaca que o aquecimento das águas do norte está seguindo tendências observadas em outras regiões e resultando em florações de algas prejudiciais a diversas espécies, incluindo os seres humanos. Kathi Lefebvre, bióloga da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), afirmou que os dados confirmam o aumento das toxinas devido às condições de aquecimento do oceano.

O estudo analisou amostras intestinais de mais de duzentas baleias abatidas anualmente entre 2004 e 2022 por comunidades locais no Alasca. Os pesquisadores encontraram níveis mais altos de toxinas em períodos de aquecimento do oceano e diminuição do gelo marinho. Essa situação pode ameaçar a vida selvagem e as fontes de alimento das comunidades nativas do Alasca, que dependem desses recursos há gerações. Além disso, outros estudos em águas do norte indicam níveis perigosos de toxinas em invertebrados marinhos, como mariscos.

As florações de algas, conhecidas como fitoplâncton, estão se tornando uma ameaça crescente em todo o mundo, especialmente nos oceanos Atlântico e Pacífico. Esses organismos estão na base da cadeia alimentar, o que significa que podem impactar todos os predadores acima deles. A bióloga Ailsa Hall, da Universidade de St Andrews, destacou que as condições oceânicas estão se tornando mais favoráveis para a proliferação de espécies tóxicas no Ártico, onde anteriormente essas florações eram mais comuns em águas mais ao sul, como na Califórnia e na Flórida.

Embora muitos dos níveis de toxinas encontrados nas amostras fecais analisadas fossem baixos, a proporção de amostras contendo toxinas era alta. O uso de baleias-da-Groenlândia como indicadores biológicos de longo prazo oferece uma visão única sobre a saúde do ecossistema. No entanto, essa pesquisa pode ser ameaçada por cortes orçamentários na NOAA, que já enfrentou reduções significativas durante a administração do presidente Donald Trump.

A ecologista Marianna Chimienti, da Universidade de Bangor, alertou que interrupções no monitoramento ambiental podem comprometer conjuntos de dados essenciais para detectar tendências climáticas. A redução dos programas científicos pode limitar a capacidade de proteger a biodiversidade e os ecossistemas, conforme evidenciado pelos dados coletados ao longo das últimas duas décadas.

Essa situação alarmante ressalta a importância de apoiar iniciativas que promovam a pesquisa e a preservação dos ecossistemas marinhos. A união da sociedade civil pode ser fundamental para garantir que projetos de monitoramento ambiental continuem, ajudando a proteger a vida marinha e as comunidades que dela dependem. Juntos, podemos fazer a diferença e contribuir para um futuro mais sustentável.

Folha de São Paulo
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