Meio Ambiente

Cerrado registra redução de desmatamento pela primeira vez em quatro anos, enquanto Amazônia enfrenta leve aumento

O cerrado brasileiro registrou uma queda de 20% nos alertas de desmatamento, enquanto a Amazônia teve a segunda menor área destruída desde 2015, apesar de um leve aumento. Dados do Deter mostram avanços na proteção ambiental.

Atualizado em
August 7, 2025
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Vale do rio Urubu-preto, no cerrado do Piauí - Lalo de Almeida - 21.mar.24/Folhapress

Pela primeira vez em quatro anos, o cerrado brasileiro registrou uma redução de 20% nos alertas de desmatamento, conforme dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente. No mesmo período, a Amazônia teve a segunda menor área destruída desde 2015, apesar de um leve aumento em relação ao ciclo anterior. Os dados são do Deter, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utiliza imagens de satélite para emitir alertas sobre a supressão da floresta.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o cerrado apresentou 5.555 km² de alertas de desmatamento, uma queda em relação aos 7.014 km² do ciclo anterior. A última vez que o bioma havia mostrado redução foi entre 2018 e 2019. Na Amazônia, o desmatamento foi de 4.495 km², representando um aumento de 4% em comparação com o ciclo anterior, que registrou o menor acumulado da história, de 4.321 km².

O aumento no desmatamento na Amazônia foi mais acentuado em Mato Grosso, onde houve um crescimento de 74%. O fogo foi identificado como o principal responsável pela destruição da vegetação, especialmente após um ano de recorde em queimadas e incêndios florestais. O monitoramento do Pantanal começou em 2023, e o desmatamento registrado foi de 319 km², uma redução de 72% em relação ao ciclo anterior.

Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, destacou que, embora o aumento no desmatamento na Amazônia não seja motivo para comemoração, a situação poderia ser pior sem as ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Ele ressaltou a importância das operações contra o desmatamento realizadas em 2024, que geraram reações negativas entre ruralistas.

Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF-Brasil, afirmou que a estabilidade do desmatamento na Amazônia demonstra que é possível combater as causas das emissões de gases de efeito estufa com vontade política. Ele enfatizou que os números enviados à COP30, que ocorrerá em novembro, mostram que o Brasil deseja liderar pelo exemplo e reafirmou a necessidade de cumprir a promessa de zerar o desmatamento em todos os biomas até 2030.

Esses dados ressaltam a urgência de ações coletivas para proteger nossos biomas. A mobilização da sociedade civil pode ser crucial para apoiar iniciativas que visem à preservação ambiental e ao combate ao desmatamento. Juntos, podemos fazer a diferença e garantir um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

Folha de São Paulo
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