Socioambiental

Governo inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó e busca alternativas de renda para indígenas

Lideranças kayapós exigem alternativas de renda ao governo Lula durante operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó, marcada pela presença de garimpos ilegais e cooptação de indígenas. A ação visa restaurar a integridade territorial e promover desenvolvimento sustentável.

Atualizado em
May 9, 2025
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Área de mineração na Terra Indígena Kayapó, no Pará - Pablo Porciuncula - 1º.mar.25/AFP

O governo federal iniciou uma operação para expulsar garimpeiros da Terra Indígena Kayapó, localizada no sul do Pará, em cumprimento a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A área é a mais afetada por garimpos ilegais no Brasil, onde a atividade criminosa tem cooptado indígenas, que cobram pelo acesso a maquinários pesados utilizados na exploração de ouro. A operação de desintrusão, que deve durar noventa dias, envolve a participação de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Exército.

Na última sexta-feira, dia 2, após o anúncio da operação, cerca de setenta lideranças kayapós mebengôkres se reuniram em Tucumã, cidade próxima ao território, para discutir alternativas de renda com representantes do governo. A maioria das cinquenta e cinco aldeias da Terra Indígena Kayapó se opõe ao garimpo ilegal, mas há divisões internas, com alguns indígenas defendendo a atividade. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) participou da reunião e se comprometeu a elaborar um plano de gestão territorial que priorize cadeias produtivas sustentáveis.

O plano discutido inclui o fortalecimento de atividades como a produção de castanha, cumaru, sementes, açaí e artesanato, além de etnoturismo e sistemas agroflorestais. O MPI ressaltou que a gestão territorial não contempla o garimpo, e a ideia é criar uma comissão para aprimorar propostas em Brasília. A operação já resultou na destruição de estruturas de garimpo, como motores e acampamentos, em pontos de acesso controlados por indígenas.

O assessor da Casa Civil, Nilton Tubino, destacou que a operação enfrenta desafios devido à cooptação de algumas comunidades e à presença de novos garimpos. Ele mencionou que existem aproximadamente dezoito mil hectares de áreas de garimpo, entre ativos e inativos, na Terra Indígena Kayapó. A situação é alarmante, com relatos de que a água do rio Branco, próximo a algumas aldeias, está poluída e a pesca foi drasticamente afetada.

Além disso, a operação é alvo de desinformação, com boatos de que busca ampliar a área da terra indígena ou desapropriar terrenos. A realidade é que a destruição das estruturas de garimpo é necessária para proteger as comunidades e o meio ambiente. O novo cacique da aldeia Turedjam, João Kayapó, assumiu um papel importante na luta contra o garimpo ilegal, buscando distanciar sua comunidade dessa prática prejudicial.

Em meio a essa luta, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam alternativas sustentáveis de renda para os kayapós. Projetos que visem fortalecer a economia local e preservar o meio ambiente são essenciais para garantir um futuro mais digno e sustentável para essas comunidades. A mobilização em torno dessas causas pode fazer a diferença na vida dos kayapós e na proteção de suas terras.

Folha de São Paulo
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