A Justiça Federal suspendeu a licença do Hotel Spa Emiliano em Paraty, exigindo consulta às comunidades tradicionais afetadas, destacando riscos socioambientais e falta de diálogo. A decisão reflete a luta das comunidades contra o projeto.

A Justiça Federal suspendeu, na segunda-feira (18), a licença para a instalação do Hotel Spa Emiliano em Paraty, no estado do Rio de Janeiro. A decisão exige a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras que seriam diretamente impactadas pelo empreendimento. A 1ª Vara Federal de Angra dos Reis apontou que a Prefeitura de Paraty apenas ouviu a comunidade do Saco do Funil, desconsiderando a necessidade de diálogo com os demais povos tradicionais.
O projeto do hotel prevê a construção de sessenta e sete cabanas de luxo em uma zona de manguezal, dentro da área de proteção ambiental (APA) de Cairuçu. A Justiça ressaltou que o terreno está localizado na área central do sítio reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em dois mil e dezenove. A decisão liminar criticou a postura do município, afirmando que demonstra uma negação da realidade social do território e uma tentativa de limitar o debate público.
Uma audiência de conciliação entre as partes está marcada para o início de outubro. A Secretaria Municipal do Ambiente afirmou que está acompanhando o processo e que atuará para garantir que as decisões respeitem as comunidades tradicionais e o patrimônio natural e cultural de Paraty. A pasta destacou que a prioridade é assegurar um desenvolvimento responsável, em conformidade com a legislação ambiental vigente.
O grupo Emiliano aguarda uma decisão definitiva da Justiça e defende que realizou os estudos técnicos exigidos. A empresa afirma que sua atuação se baseia no cumprimento da lei e no diálogo transparente, acreditando que o crescimento deve ocorrer em harmonia com o cuidado pelo local e pelas pessoas. O Ministério Público Federal (MPF) já havia protocolado uma ação civil pública contra o município de Paraty e outras entidades envolvidas no projeto.
O MPF argumenta que o empreendimento pode causar pressão sobre recursos naturais, especulação imobiliária e expulsão de comunidades tradicionais, além de impactos no modo de vida dessas populações. A decisão judicial enfatiza que ignorar esses fatores é uma violação do dever de prevenção. O coordenador do Fórum de Comunidades Tradicionais, Vagner do Nascimento, comemorou a decisão, ressaltando que é uma vitória na luta contra a construção do hotel.
Essa situação evidencia a importância da participação ativa da sociedade civil na defesa dos direitos das comunidades tradicionais. Projetos que buscam proteger o patrimônio cultural e ambiental devem ser apoiados e estimulados, garantindo que as vozes das comunidades afetadas sejam ouvidas e respeitadas. A união em torno de causas como essa pode fazer a diferença na preservação de nossos recursos e culturas.

Investimentos em adaptação climática podem gerar até US$ 10,5 em benefícios por cada dólar aplicado, segundo estudo do WRI. Projetos no Brasil, como o de Fortaleza, demonstram retornos significativos, mesmo sem desastres.
Ibama finaliza a Operação Onipresente na Terra Indígena Sararé, inutilizando equipamentos de garimpo ilegal e enfrentando 1.436 alertas em 2025, que devastaram 599 hectares da área Nambikwara.

Sebastião Salgado, fotógrafo e ativista ambiental, faleceu aos 81 anos, deixando um legado de esperança e transformação por meio do Instituto Terra, que promove o reflorestamento da Mata Atlântica.

A cacica Juma Xipaia estreou como protagonista e produtora do documentário "Yanuni" no Festival de Tribeca, destacando sua luta pelos direitos indígenas e a proteção ambiental. O filme, coproduzido por Leonardo DiCaprio, aborda sua trajetória e desafios, além de criticar o marco temporal. Juma enfatiza a importância de fortalecer a medicina tradicional e a gestão ambiental em seu território, enquanto denuncia a pressão por mineração e outras ameaças.

Malcom Ferdinand propõe a ecologia decolonial, unindo a luta por justiça social à preservação ambiental, desafiando o ambientalismo tradicional que ignora injustiças sociais. A obra "Uma ecologia decolonial" destaca a importância de integrar dignidade dos povos oprimidos e equilíbrio ecológico.

Lideranças kayapós exigem alternativas de renda ao governo Lula durante operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó, marcada pela presença de garimpos ilegais e cooptação de indígenas. A ação visa restaurar a integridade territorial e promover desenvolvimento sustentável.