Impacto Social

Passeio Público do Rio de Janeiro enfrenta degradação e recebe novos eventos culturais para revitalização

A Prefeitura do Rio de Janeiro planeja revitalizar o Passeio Público, primeiro jardim público do Brasil, com eventos culturais para atrair visitantes e reocupar o espaço degradado. A iniciativa inclui uma roda de samba e a transferência de expositores da feira da Glória, buscando reverter o abandono histórico e promover a segurança no local.

Atualizado em
August 16, 2025
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Lago sob ponte no Passeio Público está seco e é usado como abrigo por pessoa em situação de rua - Eduardo Anizelli/Folhapress

O Passeio Público do Rio de Janeiro, o primeiro jardim público do Brasil, apresenta sinais de degradação e é frequentemente evitado pela população devido à insegurança. Um parecer técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), após uma visita em setembro do ano passado, descreveu o estado de conservação como "desolador". O espaço, localizado entre a Lapa, a Cinelândia e o Aterro do Flamengo, tem lago seco e áreas utilizadas como abrigo por pessoas em situação de rua.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou planos para revitalizar o Passeio Público, promovendo eventos culturais. No próximo domingo, está programada uma roda de samba, e em agosto, parte dos expositores da feira da Glória será transferida para o parque. O Passeio foi idealizado no século 18 por Valentim da Fonseca e Silva, conhecido como Mestre Valentim, e passou por alterações no estilo no século 19, quando o paisagista francês Auguste Glaziou implementou características do estilo inglês.

Desde o século 19, relatos sobre o abandono do Passeio Público são frequentes. O viajante alemão Carl Seidler, em 1835, mencionou fontes secas e obeliscos em risco de colapso. O relatório do Iphan também destacou a secura dos lagos e a extinção de animais silvestres, como patos e gansos. O Instituto realiza visitas anuais para monitorar as condições do espaço e mantém diálogo com a Fundação Parques e Jardins, ligada à Prefeitura.

O secretário de Conservação, Diego Vaz, enfatizou a importância de criar uma vocação para o espaço, afirmando que a falta de atividades pode levar à degradação. Trabalhadores da região expressaram preocupação ao circular pelo Passeio, que já foi um local movimentado, especialmente durante o horário de almoço. A revitalização do Passeio é vista como uma oportunidade para reocupar a área e atrair visitantes.

O edifício Serrador, que está sendo reformado para abrigar a nova sede da Câmara do Rio de Janeiro, deve ser concluído até o final de 2026. Além disso, o edifício Mesbla, que foi vendido, será transformado em um residencial, o que pode contribuir para a reocupação da área. A programação do Samba do Passeio incluirá barracas de comida, DJs e atividades infantis, enquanto a transferência dos expositores da feira da Glória busca aliviar a pressão sobre a praça Paris.

Embora a revitalização traga esperança, especialistas como Cristóvão Duarte, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alertam sobre os impactos ambientais de eventos em áreas verdes. Ele destaca a importância de preservar espaços vegetados em tempos de emergência climática. A união da sociedade civil pode ser crucial para garantir que o Passeio Público se torne um espaço seguro e vibrante novamente, promovendo cultura e lazer para todos.

Folha de São Paulo
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