Impacto Social

STJ reconhece direito ao registro civil com gênero neutro em decisão histórica no Brasil

A 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou o registro civil de uma pessoa com gênero neutro, estabelecendo um importante precedente legal no Brasil. A decisão unânime reconhece a autoidentificação e reforça os direitos de pessoas não binárias, promovendo segurança e saúde mental.

Atualizado em
May 7, 2025
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A ministra Nancy Andrighi durante sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) - Carlos Humberto - 8.out.2011/TSE

A 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou, pela primeira vez, o registro civil de uma pessoa com gênero neutro, em uma decisão unânime tomada no dia seis de maio. O caso envolveu uma pessoa que, após ter um registro de gênero atribuído ao nascimento, solicitou a retificação após não se identificar com as mudanças feitas por meio de tratamento hormonal e cirurgia de redesignação. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, destacou a importância da decisão para o reconhecimento da autoidentificação.

A decisão, embora válida apenas para o caso específico, estabelece um precedente significativo na jurisprudência brasileira. Durante a sessão, a ministra Andrighi enfatizou o sofrimento da pessoa envolvida, que não se sentiu confortável nem no gênero atribuído ao nascimento nem nas mudanças subsequentes. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva também contribuiu com sugestões que foram acatadas pelo colegiado, abordando conceitos de sexo e identidade de gênero.

A ministra Daniela Teixeira, que também participou da votação, defendeu o direito de cada cidadão registrar o gênero com o qual se identifica, ressaltando a importância desse reconhecimento para a saúde mental e segurança das pessoas. Ela mencionou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a união homoafetiva, afirmando que o direito à autoidentificação é fundamental para garantir a proteção das identidades não binárias.

O julgamento é um marco na luta pelos direitos das pessoas LGBTQIA+ no Brasil, refletindo um avanço nas discussões sobre identidade de gênero e reconhecimento legal. A decisão do STJ pode influenciar futuros casos relacionados à autoidentificação de gênero, promovendo um ambiente mais inclusivo e respeitoso.

Além disso, a decisão pode estimular a sociedade civil a apoiar iniciativas que promovam a inclusão e os direitos das pessoas trans e não binárias. A visibilidade e o reconhecimento legal são essenciais para garantir que essas identidades sejam respeitadas e protegidas.

Neste contexto, é fundamental que a sociedade se una em apoio a projetos que busquem promover a inclusão e o respeito à diversidade. A mobilização em torno dessas causas pode fazer uma diferença significativa na vida de muitas pessoas, garantindo que todos tenham o direito de ser quem realmente são.

Folha de São Paulo
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