Victor Hermann lança "Zona Cinza", um livro que examina a desresponsabilização da classe média diante de catástrofes socioambientais, propondo a arte como resposta à crise. A obra reflete sobre a inércia e a necessidade de assumir responsabilidades em um mundo em risco.

O professor e pesquisador mineiro Victor Hermann lançou o livro Zona Cinza, que discute a desresponsabilização da classe média em relação às catástrofes socioambientais, especialmente em regiões afetadas pela mineração, como Itabira. Hermann, natural da cidade, reflete sobre os riscos de contaminação e a possibilidade de tragédias semelhantes às de Mariana e Brumadinho. O livro propõe uma análise crítica sobre a inação da classe média, que, apesar de informada, frequentemente terceiriza a responsabilidade para um “sistema” distante.
O autor argumenta que a classe média, mesmo ciente dos riscos, não se mobiliza para a mudança, criando um ciclo de desresponsabilização. Hermann utiliza o conceito de “zona cinza” para descrever a ambiguidade moral e ética em que essa classe se encontra. Ele destaca que a desresponsabilização é alimentada por leis e práticas que transferem a culpa para o sistema, enquanto os indivíduos se sentem impotentes diante das catástrofes. O livro também aborda a necessidade de um engajamento mais ativo e consciente por parte da sociedade.
Hermann identifica dois processos principais: a desresponsabilização e a mobilização. A primeira refere-se à transferência da responsabilidade individual, enquanto a segunda envolve a obediência criativa, onde os indivíduos se sentem confortáveis em sua impotência. O autor sugere que, para sair da zona cinza, é necessário reconhecer a própria posição de risco e a responsabilidade que cada um tem na cadeia de produção das catástrofes. Essa mudança de perspectiva é fundamental para enfrentar os desafios atuais.
O conceito de “acídia”, que Hermann recupera, refere-se à inércia do coração e à falta de perspectivas diante das crises. Ele argumenta que a visão da catástrofe contribui para a desresponsabilização e a inércia da classe média. A acídia, ao contrário da depressão, foca na incapacidade de se mover em direção ao bem comum e à alegria espiritual. Hermann propõe que a cura para essa condição exige um esforço coletivo e solidário, onde a capacidade de se importar com o outro é restaurada.
O autor também discute o papel da arte como uma resposta à catástrofe. Ele argumenta que a arte é essencial para tornar a catástrofe experienciável e para organizar os afetos em direção a uma resposta transformadora. Hermann critica a superficialidade das redes sociais e a produção de conteúdo raso, destacando a importância de uma comunicação que reconstrua os laços entre forma e conteúdo. A arte deve se reposicionar na luta contra o sistema, enfrentando a catástrofe semiótica gerada pelo capitalismo.
O livro Zona Cinza é um chamado à ação para a classe média, incentivando uma reflexão profunda sobre sua responsabilidade nas crises socioambientais. Vítimas de desastres podem precisar de apoio na recuperação e na construção de um futuro mais sustentável. Projetos que promovam a conscientização e a solidariedade são essenciais para enfrentar os desafios impostos pela destruição criativa do sistema atual.

Marcele Oliveira, embaixadora da juventude climática na COP30, destaca a luta contra o racismo ambiental e a importância das vozes jovens nas soluções climáticas. A conferência ocorrerá em Belém em novembro.

Sebastião Salgado, fotógrafo e ativista, faleceu recentemente, deixando um legado de luta social e ambiental, incluindo a criação do Instituto Terra, que restaurou áreas degradadas da Mata Atlântica.

Pescadores de Magé revitalizaram a Baía de Guanabara ao replantar manguezais, criando o Parque Natural Municipal Barão de Mauá, um exemplo de recuperação ambiental e educação. Após o desastre de 2000, a comunidade se uniu para restaurar o ecossistema, promovendo biodiversidade e renda local. O parque, com 113,7 hectares, agora abriga mais de cem espécies e é um modelo de resistência.

O Índice de Programa Social (IPS) 2025 revela que o Pará apresenta a pior qualidade de vida do Brasil, com Belém na 22ª posição entre as capitais, destacando problemas como desmatamento e garimpo ilegal. Essa realidade será central nas discussões da COP30, que ocorrerá no estado.

Sebastião Salgado e Arnaldo Bloch testemunharam uma rara cerimônia fúnebre ianomâni, revelando tradições ancestrais e a luta do povo contra a redução populacional e invasões em suas terras.

Quintais urbanos em São Paulo e Guarulhos se destacam como espaços de cura e sociabilidade, revelando saberes tradicionais e promovendo hortas comunitárias. Pesquisas mostram a importância desses ambientes na vida dos moradores.